Opinião: O Olimpismo e os Valores Olímpicos – Academia Olímpica Cabo-verdiana

Pierre de Coubertin, fundador dos Jogos Olímpicos da era moderna /1894/, era, antes de mais, um educador e pedagogo.

A educação Olímpica é um legado de Coubertin que teve também o objetivo de integrar o desporto como parte integral da rotina escolar.

Defendia o espirito Olímpico, interessado na atitude moral e responsável do atleta, para o qual a educação olímpica poderia em muito contribuir, defendendo a paz, a amizade e o progresso.

A combinação dos Jogos Olímpicos com a cultura e a educação foi o principio basilar do movimento olímpico, com o objetivo da criação de um mundo melhor e cheio de paz, através da educação pelo desporto.

A Academia Olímpica, que só veio a ser oficialmente fundada em 1961, foi uma luta persistente de Pierre de Coubertin, que era um interessado na difusão e defesa dos valores éticos e morais que integram o código filosófico do Movimento Olímpico.

Com a reativação dos Jogos Olímpicos no Congresso de Paris, Pierre de Coubertin deu vida a uma grande festa quadrienal da primavera humana, ordenada e ritmada, e cujo corpo se mantinha ao serviço do espírito.

Tendo em conta os fracassos sucedidos, depois dos Jogos Olímpicos de Atenas /1896/, respetivamente em Paris e St. Louis, 19oo e 19o4, devido aos movimentos anárquicos dos organizadores de então, Pierre de Coubertin se alarmou e fez vários congressos em diversos países, para manter e potenciar a veia cultural do olimpismo e acabou por dirigir uma carta ao governo alemão /reich/, em 1937, a sugerir a criação de uma instituição, à qual legou os seus documentos e projetos ainda não realizados, sobre o olimpismo renovado, para evitar que todo o seu trabalho de gerações se perdesse nas mãos daqueles que não lhe davam o devido tratamento.

O projeto daria lugar á criação do Centro de Estudos Olímpicos, que o professor Carl Diem dirigiu e deu inicio ao seu funcionamento, de 1938 a 1944.

No seguimento e depois de várias conferencias em anos sucessivos, finalmente, se veio a criar a academia olímpica internacional, na Grécia, na Olympia, em 1961.

Hoje, existem 133 academias olímpicas nacionais, a nível universal, com o objetivo de difundir os princípios Olímpicos, defender os mesmos e denunciar todas as pressões sobre a ética desportiva, o ideal Olímpico e todos quantos pretendem alterar esses princípios.

A difusão do Olimpismo em todas as escalas sociais *uma filosofia de vida que utiliza o desporto como correia transmissora dos princípios formativos, pacíficos, democráticos, humanitários e ecológicos*.

Porque o desporto constitui uma atividade sociocultural, enriquecedora da sociedade e da amizade entre as nações, que fomenta a interação social e permite ao individuo conhecer-se melhor, exprimir-se, realizar-se e desenvolver-se em toda a plenitude.

A promoção do ideal olímpico e a defesa dos valores éticos, educativos, sociais e culturais do desporto, no espírito dos princípios fundamentais das regras da carta olímpica.

A promoção e o incentivo de estudos e ações práticas de sensibilização, formação e divulgação dos ideais Olímpicos, sobretudo entre os jovens.

O estabelecimento de uma maior ligação entre o Movimento Olímpico e as autoridades escolares, com vista á integração do estudo do olimpismo nos programas escolares.

Com a educação olímpica procurou-se enriquecer a personalidade humana, através da cultura, da educação física e desportiva, desenvolver um senso de solidariedade humana, tolerância e respeito, associado ao fair-play, respeito pelas diferenças, encorajando a excelência e o sucesso, de acordo com os ideais Olímpicos fundamentais.

As academias olímpicas nacionais devem, pois, considerar-se como instituições pedagógicas, para difundir os princípios Olímpicos e defender os mesmos, organizar cursos oficiais para a difusão do olimpismo.

Devem promover e incentivar estudos e ações praticas de sensibilização, formação e divulgação dos ideais Olímpicos, sobretudo entre os jovens.

Devem promover a nível nacional e em todas as escalas sociais os princípios históricos, éticos e filosóficos, que sustentam e conformam o Movimento Olímpico, com destaque para escolares, universitários, grupos de desportistas, membros associativos e federativos, jornalistas desportivos, médicos desportivos, estudantes de educação física, professores, árbitros e treinadores.

Editar folhetos de divulgação sobre os ideais e a Filosofia Olímpica constitui também uma atividade das academias olímpicas nacionais.

Os Jogos Olímpicos da era moderna, criados por Coubertin e nascidos de uma filosofia – o olimpismo – em que a humanidade adotou os valores do desporto como uma forma de vida, mantem-se hoje, com toda a sua pujança, através de duzentos países, firmes no seu desenvolvimento e na aplicação de toda a sua filosofia   –   excelência – amizade e  respeito.

Orlando Mascarenhas – Presidente da Academia Olímpica Cabo-verdiana

                                                                                                        

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