Opinião – Comissão de Ética e Desporto na ilha da Brava

Nho Sanjom… Nha Brava

Lá voltei á minha terra, à minha Brava, à minha ilha das flores como presidente da Comissão
de Ética do Comité Olímpico. Com duas incunbências.

Por um lado, numa perspectiva de quase missionário, apresentando às comunidades a “Cartilha
de Ética e Desporto” publicada pelo COC, e por outro num registo mais institucional,
homenagear os bravenses, com a entrega da medalha de ouro que o atleta olímpico Jordin
Andrade conquistou o ano passado nos Jogos da Francofonia.

Como se sabe Jordin, embora tenha nascido nos Estados Unidos, tem raízes na Brava. O seu
pai nasceu e passou parte da infância perto da vila de Nova Sintra. Foram as festas de São
João, padroeiro da capital da Brava, houve competições desportivas também em Cachasso e
Furna. Visando a valorização dos mais elementares princípios, depositei nas mãos do
presidente da câmara Francisco Tavares, a cartilha e o troféu do velocista cabo-verdiano.

A Cartilha de Ética e Desporto é tão só isso. Uma cartilha. Um documento singelo de
sensiblização.

Foi o que pretendi demonstrar a todos. À gestão camarária, aos membros do Clube Olímpico, a
atletas, professores e alunos. A “Cartilha de Ética e Desporto” como um “documento criado
com o objectivo de sensibilizar as crianças nas escolas, os desportistas e naturalmente as
associações e todos os clubes para a prática da ética no desporto”.

Foi explicado o que se pretende com esta iniciativa. Dinamizar os valores olímpicos, de forma
a criar junto dos amantes do desporto uma conduta que esteja à altura do “Fair-Play”,
melhorar comportamentos no desporto, e incutir valores e princípios às crianças que iniciam
as suas actividades.

“Pensamos ser fundamental que as crianças e jovens da tenra idade tenham conhecimento de
algumas regras mínimas. Um livro bastante simples como a cartilha de outrora que nos
ensinava o ABC de valores que nos ajudaram, e continuam a ajudar na condução de nossas
vidas. Um livro de leitura fácil e que vai, com certeza, ajudar os amantes do desporto a
interpretar as regras desportivas e, naturalmente, a sentirem-se sensibilizados para uma boa
conduta, para a educação, a amizade, e o respeito pelos adversários”.

A “Cartilha de Ética e Desporto” disponibiliza mensagens aos diversos agentes desportivos
como árbitros, treinadores, dirigentes, e à própria comunicação social, de forma a contribuir
para a divulgação de um conjunto de informações, visando a valorização de princípios éticos na
prática desportiva.

A cartilha passa de mãos em mãos e acaba na dos atletas. Com foco nas crianças em idade
escolar.

“Há muitos valores que se estão a perder, principalmente no seio das camadas mais jovens.
E torna-se fundamental também sensibilizar dirigentes, para a necessidade de práticas mais
saudáveis.”

Para este desiderato contamos na Brava com a parceria “determinante e preponderante” da
comunicação social, o pelouro da juventude da Câmara Municipal, e do seu vereador, professor
Mario Jorge Fernandes, como mensageiros privilegiados.

A “Cartilha da Ética e do Desporto” foi concebida pela antiga presidente dos Direitos
Humanos e da Cidadania, Zelinda Cohen, e pretende dar um contributo à temática em Cabo
Verde.

Segundo Galileu, “ a um homem nada se pode ensinar. Tudo que podemos fazer e ajudar-
lo a encontrar as coisas dentro de si mesmo”. E, por isso precisamos dos nossos
mestres.

João Germano de Oliveira
Presidente da Comissão de Ética do COC

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