Entrevista – “Cabo Verde tem a oportunidade de inovar em Tóquio2020” – Leonardo Cunha

Cabo Verde prepara-se para mais uma participação nos Jogos Olímpicos, desta feita de Tóquio2020, que nesta quarta-feira comemora um ano para a cerimónia de abertura, onde as expetativas são altas e se espera das mais espetaculares e já assistidos de todos os tempos.

Para assinalar este dia estivemos à conversa com o Chefe de Missão designado pela Comissão Executiva do COC, Leonardo Cunha que já vai na sua segunda participação como Chefe de Missão de Cabo Verde – primeira nos Jogos do Rio2016 – e que nos deixou saber dos preparativos levados a cabo pelo Comité Olímpico Cabo-verdiano, no sentido que que o país esteja a altura do maior evento desportivo e cultural do mundo.

Acompanhe a baixo a pequena entrevista.

Leonardo Cunha nos Jogos do Rio2016

COC –  É assinalado hoje o “1 year to go Tóquio2020”. Como está perspectivada a participação de Cabo Verde neste evento?

Leonardo Cunha: Os Jogos Olímpicos de Tóquio estão a bater todos os records anteriormente estabelecidos numa edição de Jogos Olímpicos de verão. Seja em termos de audiência (primeira lotaria de bilhetes já esgotada em tempos nunca antes vistos), seja em termos de patrocínios locais (mais de 3B de $ USD), seja em inovação tecnológica, seja no timing de construção de infraestruturas ou mesmo de contratos de transmissão global dos Jogos. Cabo Verde tem aqui a oportunidade também de inovar, pois decorrente do planeamento dos Jogos está a ser discutida uma participação através de uma só unidade – a delegação de Cabo Verde: “Team Cabo Verde”.  Neste momento temos quatro atletas confirmados para participar, contudo penso que as federações e os atletas estão afincadamente a trabalhar para garantir mais qualificados para os Jogos e ultrapassar assim a fasquia de participação do Rio 2016. Através do COC e da Solidariedade Olímpica temos neste momento 10 bolseiros olímpicos (o dobro de bolseiros da edição anterior) a serem apoiados para a preparação e qualificação para os jogos e isto pode ser um bom presságio para uma participação mais numerosa.

       “Cabo Verde tem aqui a oportunidade também de inovar, pois decorrente do planeamento dos Jogos está a ser discutida uma participação através de uma só unidade – a delegação de Cabo Verde: “Team Cabo Verde”.

 

COC – A esta altura quais são os passos que estão a ser dados para a concretização desta participação?

Leonardo Cunha: Depois do Workshop de preparação para os jogos realizado no Malawi à margem do Seminário de Secretários-gerais no ano passado, Cabo Verde irá estar presente na reunião de chefes de missão no Japão de 20 a 22 de agosto de 2019. Esta altura, será o um dos momentos mais importantes de planeamento de missão, pois irá finalizar o plano de missão e a proposta de orçamento indicativo para a nossa participação. Até ao momento tem existido a aproximação com vários parceiros privados para apresentar as oportunidades que os Jogos têm para qualquer pessoa que se queira associar. Além disso, estamos paralelamente a planear o “Olympic Festival” que será uma parte muito importante para o apoio à nossa delegação dentro e além fronteiras.

      Cerimónia de abertura dos Jogos do RIO2016

COC – Irá participar brevemente em mais uma reunião de chefes de Missão para os Jogos. Que importância tem estas reuniões e quantas mais irão acontecer até Tóquio2020?

Leonardo Cunha: Estas reuniões permitem aos dirigentes receberem do OCOG (Comité Organizador) os dados mais importantes para a logística de participação. Cabo Verde tem colaborado com o COI e o OCOG através da consultora McKinsey & Company (baseada nos EUA) para a elaboração de um guia de boas práticas para a instalação na Vila Olímpica. Isto para Cabo Verde, e para a Missão Olímpica de Cabo Verde, é um motivo de orgulho pois, fomos apontados como um dos Comités Olímpicos que melhor planeiam as missões olímpicas e que pode partilhar a sua experiência com os demais Comités Olímpicos. Assim, provamos mais uma vez que a forma que estamos a trabalhar é reconhecido pelos nossos parceiros como um exemplo a ser apontado. Depois disso temos os Pré-DRM (reuniões de registo de delegação) na qual Cabo Verde foi até sondado em 2017 para ser um dos países em África a acolher esta reunião.

 

          “Fomos apontados como um dos Comités Olímpicos que melhor planeiam as missões olímpicas e que pode partilhar a sua experiência com os demais Comités Olímpicos”.

 

COC – Como Chefe de Missão o que espera desta segunda participação com esta responsabilidade, depois dos Jogos do Rio2016?

Leonardo Cunha: Com a experiência acumulada, esperemos que a segunda missão possa ser ainda melhor, contudo considero que existem áreas na missão que podem ser ainda melhoradas e que não dependem apenas do COC. Por exemplo, a instalação de uma casa de Cabo Verde no Japão. Será algo muito difícil realizar se não existir o envolvimento dos parceiros privados e públicos. Contudo, a abertura do governo do Japão para a Host-Town iniciative (que vai colocar o vilarejo de Nakagusuku a apoiar Cabo Verde durante os Jogos), será algo muito interessante e inovador.

        Cerimónia de boas vindas do RIO2016

No Japão já se respira o espírito dos Jogos Olímpicos e hoje teve lugar o evento 1 Year to Go Tokio2020, cuja live do Olympic Channel pode ser assistido aqui

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